Eu acho admirável como algumas passagens de livros podem definir um momento tão específico das nossas vidas. Ou até mesmo nossa vida inteira. A primeira passagem que eu lembro que me tocou foi essa, em 2006:
Alfredo não sabe mais chorar. Porque chorar alivia, e ele não quer se sentir aliviado. (LOLITA PILLE – Hell)
Seguida de (também em 2006):
Ontem, quando me retirei, ela estendeu-me a mão e disse: “Adeus, querido Werther!” Querido Werther! Foi a primeira vez que me chamou de querido, e a alegria que senti penetrou-me até a medula dos ossos. Repeti a palavra cem vezes e, à noite, quando fui para a cama, palrava com meus botões e me peguei a dizer de repente: “Boa-noite, querido Werther!” E tive de rir de mim mesmo depois disso. (GOETHE – Os Sofrimentos do Jovem Werther)
Tive a oportunidade de reviver esses dois livros e esses sentimentos recentemente, e com isso veio a vontade de compartilhar mais das minhas passagens preferidas dos últimos 2 anos (porque não tenho nada documentado antes desse período =x). Talvez algumas delas não tenham um significado super profundo, mas elas foram capazes de me tocar no momento que eu as li.
Como referência, dei uma filtrada nos destaques do meu kindle. Só coloquei aqui as do kindle porque elas estão juntinhas em um mesmo lugar, e ia dar muito trabalho juntar as de livros físicos também. Um dia eu faço isso.
Essa, que é a primeira ever destacada do meu kindle (depois que eu o formatei em 2014), e que me tocou pela liberdade de “tacar o foda-se”. Em tradução livre:
O que eu senti foi principalmente um alívio. Que eu posso desistir desse jogo. Que a questão de saber se eu posso ou não ter sucesso foi respondida, mesmo que a resposta seja um grande “não”. Que se situações desesperadas pedem por ações desesperadas, eu estou livre para agir tão desesperadamente quanto eu queira. (SUZANNE COLLINS – Em Chamas)
Essa definição de amor, também em tradução livre:
Ruth disse, “Amor não é apenas querer outra pessoa da maneira que você deseja possuir um objeto que você vê em uma loja. Isso é só desejo. Você quer tê-lo por perto, levar para casa e colocá-lo em algum lugar do apartamento como um abajur. Amor é..” ela pausou, refletindo.. “como um pai salvar seus filhos de uma casa em chamas, tirá-los de lá e acabar morrendo. Quando você ama, você deixa de viver por si mesmo; você vive por outra pessoa.” “E isso é bom?” Não parecia tão bom para ele. (PHILIP K. DICK – Fluam, Minhas Lágrimas, Disse o Policial)
E o mesmo livro, ainda sobre chorar:
“Eu acho que não consigo dirigir; estou tremendo muito.”. Ele sentiu alguma coisa em seu rosto; ao colocar a mão, percebeu que seu queixo estava molhado. “O que é isso em mim?” ele perguntou, impressionado. “Você está chorando,” Herb disse. (PHILIP K. DICK – Fluam, Minhas Lágrimas, Disse o Policial)
Homis, por favor:
“Não, senhor, não me faça carinhos agora, me deixe falar sem me interromper” (CHARLOTTE BRONTË – Jane Eyre)
E Jane Eyre ainda arrasadora:
“Oh! Jane, isso é cruel! Isso é do mal! Não seria ruim se você me amasse!” “Seria ruim, meu senhor, te obedecer.” (CHARLOTTE BRONTË – Jane Eyre)
E Alaska sendo sensata:
Ela se virou de costas para mim, e suavemente, talvez para si mesma, disse, “Meu Deus, eu não vou ser uma dessas pessoas que fica sentada falando sobre o que elas vão fazer. Eu vou simplesmente fazer. Imaginar que o futuro é um tipo de nostalgia”. “Que?” eu perguntei. “Você passa sua vida inteira empacado no labirinto, pensando sobre como você vai escapar dele um dia, e como vai ser incrível, e imaginando aquele futuro que te mantém seguindo em frente, mas você nunca faz isso. Você só usa esse futuro para escapar do presente.” (JOHN GREEN – Quem é você, Alaska?)
E Alex Supertramp citando Tolstoy, e sendo o melhor tipo de insensato:
Eu queria movimento, e não um curso calmo de existência. Eu queria excitação, e perigo, e a chance de me sacrificar pelo meu amor. Eu sentia em mim mesmo uma superabundância de energia que não encontrava saída em nossa vida pacata. LEO TOLSTOY, “FAMILY HAPPINESS” (JON KRAKAUER – Into the Wild)
E uma nerdice, porque sou dessas:
“Encontrar um par para você ir ao baile é tão duro que a ideia hipotética sozinha é na verdade utilizada para cortar diamantes” (JOHN GREEN – Paper Towns)
E eu vou parar depois dessa, que foi a última marcada no kindle em 2014, de As Virgens Suicidas (um dos melhores livros da minha vida):
Nós nunca entendemos por que as garotas se importavam tanto com ser maduras, ou por que elas se sentiam compelidas a se elogiarem, mas algumas vezes, depois que um de nós tinha lido em voz alta uma parte longa do diário, nós tínhamos que lutar contra a vontade de nos abraçarmos ou de falar quão lindos nós éramos. Nós sentíamos a prisão de ser uma garota, e a maneira que isso deixava a mente ativa e sonhadora, e como você acabava sabendo quais cores combinavam. Nós sabíamos que as meninas eram nossas gêmeas, que todos existíamos no espaço como animais com peles idênticas, e que elas sabiam tudo sobre nós embora nós não conhecêssemos absolutamente nada delas.Nós percebemos, finalmente, que as garotas na verdade eram mulheres fantasiadas, que elas entendiam o amor e até a morte, e que nosso trabalho era meramente criar o barulho que parecia as fascinar. (JEFFREY EUGENIDES – As Virgens Suicidas)
Espero que isso te motive a compartilhar comigo as suas citações preferidas também <3
Em breve posto algumas que eu li em 2015, ou talvez faça uma edição especial só para O Sol é Para Todos, porque eu destaquei o livro todo praticamente <3



